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REPRESENTAÇÕES DE DOCÊNCIA COMO SACERDÓCIO DESDE O SURGIMENTO DAS PRIMEIRAS REVISTAS PEDAGÓGICAS

A temática abordada na obra trata da imprensa periódica especializada em educação, onde a Revista do Ensino de Minas Gerais foi eleita como fonte e objeto de estudo, um periódico longevo produzido pela Imprensa Oficial mineira que circulou no período (1925-1971). A primeira fase dela (1925-1940) foi selecionada para a investigação. A principal pergunta que impulsiona a pesquisa é: como a docência era representada pelo ideário católico nos textos publicados na Revista do Ensino (MG)? Após essa, outras perguntas surgiram: Quais os tipos de representações de professora primária o ideário católico mais explicitava? Como eram os conteúdos pedagógicos católicos direcionados especificamente às normalistas e às professoras primárias? Sobre o que eles mais versavam? Como era a iconografia deles? Como a materialidade desta revista comunicava-se com esse público? O objetivo central é analisar as representações de docência construídas pelo ideário católico na Revista do Ensino (MG). Os objetivos secundários são: investigar as primeiras revistas de educação e ensino que surgiram no mundo, no Brasil e em Minas Gerais; averiguar o surgimento da revista em análise, e expor suas principais características materiais. Esta pesquisa histórica e documental seguirá os postulados e os procedimentos teórico-metodológicos da História Cultural, para examinar os 175 números publicados na primeira fase deste impresso educacional oficial, cujo trabalho se valeu do conceito de representação amplamente discutido por Roger Chartier. No 1º capítulo estudou-se o contexto de criação das primeiras revistas de educação e ensino, das estrangeiras até a criação/ressurgimento da Revista do Ensino (MG). No 2º capítulo estudou-se as características da materialidade deste impresso oficial: as principais capas e mudanças editoriais sofridas diante das políticas e reformas educacionais existentes em seu tempo, quantas páginas produzidas, quantas abordavam sobre o ideário católico, quantos textos foram publicados, e a subsequente análise da materialidade dos enunciados católicos, e por último a identidade dos articulistas destas publicações. Já no 3º capítulo o foco das investigações foram as representações sobre a docência feminina. As categorias analíticas em destaque foram: a) representações de docência como sacerdócio; b) representações de mulher-esposa-mãe; c) a feminização do magistério em Minas Gerais; d) representações de: mulher-professora em geral; mulher-professora-mãe; e mulher-professora-solteirona (com instinto maternal); e) a Pedagogia de Jesus Cristo; e f) representação de professora/normalista como sacerdotisas. Os resultados demonstraram que a maioria das publicações foi feita pelas autoridades educacionais representantes dos interesses do Estado. O ideário católico se serviu das páginas da Revista do Ensino (MG) como um canal de comunicação para a divulgação das suas ideias e prescrições direcionadas às professoras e às normalistas, construindo para esse público representações de como ele deveria ser e estar no mundo. Foram publicados conteúdos que instruíam estas educadoras a se inspirarem no arquétipo docente da figura de Jesus Cristo, visto como o modelo normativo ideal de mestre e pedagogo. A partir deste modelo elas eram chamadas de mestras, e eram incentivadas a se sentirem como sacerdotisas, contentando-se com a baixa remuneração nesta carreira, pois a ênfase destas publicações estava na abnegação e no amor pelas crianças para o desempenho da “sagrada” missão pedagógica. Por fim considerou-se que os interesses entre Estado e Igreja Católica foram conciliados na representação da imagem docente feminina como um verdadeiro sacerdócio, pois a Igreja ensejava restaurar o seu rebanho, e as professoras seriam as porta-vozes da disseminação desse ideário religioso na educação. E ao Estado interessava contratar uma mão de obra barata para o ensino público oficial.
Monalisa Lopes dos Santos Coelho
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