top of page

O IDEÁRIO CATÓLICO NA REVISTA DO ENSINO DE MINAS GERAIS (1925-1940)

O objeto de estudo da obra é a presença de elementos do ideário católico na Revista do Ensino de Minas Gerais entre os anos 1925 e 1940. A problematização do objeto se projetou no contexto histórico da primeira metade do século XX (República, cisão Estado–Igreja, movimento da restauração católica e o da Escola Nova). Questionou-se como a Igreja Católica conseguiu conquistar espaço na Revista do Ensino? Quais e como eram os conteúdos de fundo religioso católico que esse periódico veiculou? Tais conteúdos contribuíam ou ajudaram a compor um magistério e uma pedagogia católico-cristã? O objetivo geral é compreender nuances de como a Igreja Católica conseguiu se manter ativa e influente no campo da educação após a decretação do Brasil como Estado laico; e os objetivos específicos são caracterizar conteúdos pedagógicos católicos veiculados na Revista do Ensino; averiguar como tais conteúdos se apresentavam ao professorado mineiro (catequista e não católico); entender o que era a Pedagogia de Jesus Cristo e a Escola Nova Cristã na publicação; reconhecer como os conteúdos de fundo católico legitimavam o magistério como sinônimo de missão, vocação, destino, sacrifício, sacerdócio e lugar da mulher. Esta pesquisa é documental e bibliográfica, e enquanto estudo histórico, seguiu postulados e procedimentos teórico-metodológico do método materialismo histórico dialético, preocupando-se com as contradições, os conflitos, os embates, os antagonismos nas relações existentes entre o macro e micro, isto é, entre o nacional, e o local. A fonte histórica central foi a Revista do Ensino de Minas Gerais com o exame dos 175 números no período 1925–1940, e de fontes complementares como encíclicas papais, cartas pastorais, jornais oficiais e católicos, leis, decretos, e o livro de época Minas Gerais em 1925. As categorias analíticas foram: Pedagogia de Jesus Cristo, Escola Nova Cristã, e magistério como sinônimo de: missão, vocação, destino e sacerdócio e lugar da mulher. O capítulo 1 contextualiza o período republicano inicial no Brasil, aborda sobre a separação entre Estado e Igreja Católica, o movimento da restauração católica, e o movimento da Escola Nova, em que se procura caracterizar a conjuntura histórica-político-educacional-religiosa. O capítulo 2 focaliza Minas Gerais, abordando sobre a tradição católica mineira, e o envolvimento da Igreja com os governantes estaduais sucessivamente. São feitas reflexões sobre a reforma Francisco Campos, a formação de professores, a gênese da Revista do Ensino criada em 1892 e reativada em 1925, caracterizando a conjuntura histórica-político-educacional-religiosa neste estado, e suas reverberações neste impresso pedagógico. O capítulo 3 traz a análise dos dados pesquisa, examina capas e os discursos de autoridades eclesiásticas e educacionais mineiras veiculados no impresso, com base no levantamento geral das publicações vinculadas ao catolicismo (1925-1940) e o gráfico derivado do levantamento; analisa-se os princípios da Pedagogia de Jesus Cristo, e como os conteúdos pedagógicos recomendavam o magistério para a figura feminina. Os resultados apontaram que a Igreja Católica reuniu forças e estabeleceu um movimento de reação à escola laica, e em Minas Gerais, o clero encontrou não apenas uma sociedade de tradição católica conservadora, como também sucessivos governos estaduais dispostos a aceitarem a colaboração da Igreja nos rumos da educação. Com essa abertura, a Igreja pôde contar com a Revista do Ensino para veicular o seu ideário pedagógico inclusive seus postulados da Escola Nova Cristã, para alcançar professores, professoras primárias, e as normalistas, sob um discurso que instava as educadoras a seguirem o Mestre Jesus Cristo, e a encararem o magistério como missão terrena, abnegadas, sacrificadas, como sacerdotisas na qualidade de mestras, aceitando uma baixa remuneração, importando-se entretanto mais em desempenhar bem a sagrada missão pedagógica.
Monalisa Lopes dos Santos Coelho
bottom of page